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MIGALHAS DA PALAVRA!
(Transe poético)
Quando respiro poesia,
Não é que eu queira ver o fogo sempre aceso;
Ou queira ser a essência-transeunte
Que perfuma as palavras e as cabeças maluvidas.
Respiro-a pela simples euforia de ser
Pássaro cativo
- Filho ativo do agridoce calabouço -,
Um semiestreante a catar as migalhas
Da palavra nua,
Insossa, vadia...
.........................
Quando respiro poesia
Não é que eu queira ser trovão cisca-pó,
Marfim de raros transtempos;
Ou deseje sentar-me na cabine do astronauta
Que sobrevoa as vagens intransponíveis.
Respiro-a pelo ato contínuo
De ser tocaia de poeta, orgasmo pateta
- Átomo incompleto -,
Um extraterreno a balizar os rumos
Da palavra crua,
Salgada, encardida...
.........................
Quando respiro poesia
Não é que eu queira embelezar a lua, a flor;
Ou queira ser bem-me-quer de passivos oceanos,
Onde mulheres deslembradas atiram pétalas aos náufragos
Vestidas de branco-gelo e com lenços
De vincos carnívoros.
Respiro-a pelo lance/ato de ser
Como ácaro doméstico
- Epílogo de ilusão -,
Uma víbora a rasgar a seda azul da sã inspiração
(Embutida em cada palavra vã, anã...)
Posto que de seus incontáveis vícios
Sairão lembranças como ventos
Dos montes enternecidos...
.........................
Quando respiro poesia,
Respiro-a – porque galo o verbo – e ainda permaneço
Continuamente em mim.
Isso transcende o poema,
Resguarda o sim,
A morte da palavra,
O renascimento do relâmpago:
O fim!
Benny Franklin