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    March 12

    Fragmentos

    Essência

     

    Sou aço

    Sou barro

    Sou pedra de copular orvalho

    Sou sombra

    Sou ácido

    Sou poema de desentupir atalho

     Sou como rezas

    Morro barro

    Agasalho a alma

    No aço

    Fortifica o coração

    No poema

    Cria a oração de cada dia...

    Mas

    O homem,

    Esse desconhecido!

      Onde

    Esconderá a sua

    Covardia?

     

    March 09

    Poesia

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    INALTERADA PARTE DO INSTANTE

    I  

    Sob derradeiro sereno,

    Inalterada é a parte que me resta.

    Pois que a lua desvirginara-se ao vento

    Antes de o dia acontecer.

    De sua dor

    Surgiu a ausência das coisas,

    Orgasmo carnal

    Sacrificado virgem

    Que nem plenitude e desejo

    Roubado da flor desvirginada

    – multifacetada parte deste momento –

    Porque penetrada se deu à bomba

    Assim como o perfume do ralo

    Deu-se ao vazio.

    Ter-se-ia o orvalho

    (Enquanto cadeado)

    Estancado a hemorragia

    Do destino?

    Ou a símile da palavra,

    A gradação da penugem,

    A complexidade da vagina,

    A multiplicidade do colapso

    O “ó” do Benjamizeiro

    Dever-se-ia morrer

    No âmago de cada floração?

    Seria o poema,

    A estética do olhar,

    A intensidade do beijo,

    As mangas pecas de Belém,

    Os cadáveres purificando-se

    Sob a fomedez

    De cada mutação?

    Ou seria a analogia da lagarta,

    A desfaçatez do suicida

    A mutável sinonímia

    Do assassinato?

    Segundo a bíblia comentada,

    Os reveses da vida

    São tênues e desesperadores.

    Daí a luminosidade do ódio

    Espelhar-se no âmbito

    De cada excitação.

    É de mais valia

    Cortejar um pensamento sonâmbulo

    Do que sentir o vapor

    Das línguas do destino.

    Oh! Esperança!...

    Onde andará teu lacônico sorriso

    Que tantas lagrimas vitimou?

    Lembrai sempre:

    Se o pecado houvesse sido perdoado,

    Esperança alguma haveria morrido.

    Ser-nos-ia, por fim,

    Parto de cada antevéspera.

    Embora sendo estático,

    Este canto é a primogênita vela

    Que se acende ao mormaço.

      II

     Frente à extrema luz,

    Hirta seja a outra parte que me sobrar.

    Sonsa, a chuva engravidara-se ao mormaço,

    Antes de a enxurrada desmerecer-se.

    Prima do meretrício o é,

    De cujo pólen engravidado,

    Vênus deu-se a guerra

    Assim como a prostituta

    Deu-se ao talo.

    Seria o entusiasmo o criador,

    A métrica do estrume,

    O cardume de idéias

    A se masturbar na alienação da poesia?

    Ou seria a viatura de guerra,

    O poeta porque imerecido,

    A chaminé povoando segredos,

    A idolatria

    De cada compaixão?

    Ou seria a mídia dos soberbos,

    A sacristia dos blasfemos,

    A espada dos ditadores,

    O pênis

    De cada sacrifício?

    Ou seria a magnanimidade dos pavores,

    A pusilanimidade da terra,

    A veia porque enfartada,

    O céu coberto de orgasmo?

    Segundo a literatura comentada,

    Os erros ortográficos são incapazes e pueris.

    Daí a consangüinidade do poeta

    Espelhar-se na poesia

    De cada pensamento marginal.

    É mais venturoso

    Mastigar o tabaco da vergonha

    Do que provar o ódio

    Das palavras proscritas.

    Oh amanhã de amanhã...

    Por onde andará o teu irônico futuro

    Que tantos sonhos atropelou?

    Advirto-lhe:

    Se a angina fosse imediatamente extirpada,

    Homem qualquer fraquejaria.

    Ser-nos-ia, enfim,

    Canto de cada espera.

    Apesar do mormaço,

    Este grito

    É a inalterada parte

    Do instante.

     

    Por Benny Franklin