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    January 27

    Fragmentos

    Fragmentos Poéticos

     

    "Oh! Deus! Oh! Deus!

    Que é o amor enquanto é?

    Que é a dor enquanto não é?

    Que é a palavra enquanto não está?

    Que é o pavor enquanto è?

    Que é o homem enquanto se destrói?

    Que é a verdade enquanto não cabe?

    Sei que com os admiráveis truques de guerra

    Faz-se a bendita paz no horizonte

    Mas há que se lembrar

    Do futuro do homem..."

     

    Por Benny Franklin

    Fragmentos do poema

    "Teu céu sob a ponta de minha espada"

    Poesias

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    EXAME DE CONSCIÊNCIA

      

    Para Thereza Girardi. Pelo animo de querer tornar-me um poeta. Dedico-a.

    "Exame de Consciência" é um retrato de ode bela e firme.

    Traduz um pulsar lírico de fome e avidez; expurgo. Porque carrega o sentimento do que corrói a alma não só poeta,

    mas também do homem, do ser humano”.

    Parabéns!

    Meirevaldo Pinheiro, Poeta.

      “Se este poema fosse gente, certamente conseguiria atravessar o rio Amazonas a nado!

    O seu poema é amazônico.

    Vasto, belo, tem força selvagem, está aí para ser desbravado!...

    Você, Bandeirante da Palavra, puxa a gente, com facão na mão, para cortar os matos que obstruem

    a passagem nessa viagem pelos labirintos do ser pessoa!

    Parabéns!

    Meu respeito, minha admiração, meu olhar de aprendiz...

    Euna Brito de Oliveira, Poeta.

    I

    Sob o signo da vida,
    pedra quase bruta,
    que me consome aos poucos,
    copulam-me as bromélias silvestres,
    remastigando o íntimo da palavra,
    tão farta de cio.
    Exame de consciência
    que, à mercê das chuvas ácidas de longes terras,
    quando se pode melhor divisar as coisas,
    há que se fazer de espada,
    mas sem dormir na bainha,
    e, em meio às flores ensopadas de espermas,
    deve saber devorar
    centenas de ventres santarenos,
    que tanto amo penetrá-los...
    Oh areia de piracaia!...
    Oh tira-gosto de avium!...
    Que a chuva me conceda
    uma primeira negação da fala.
    Sentar-me-ei nestas calçadas baldias da vida
    a colher da viva luz,
    o que possível se amarelar nos frutos desmerecidos
    desse amor que amo amar em pedaços...
    Oh chão belemita!...
    Oh grão paraora!...
    Que os filamentos de tuas belíssimas pétalas
    e de teus pusilânimes ovários,
    conceda-me o dom de perfurar-te à bala,
    com orgasmo de aço,
    no qual algumas putas infelizes
    prostram-se nas noites de sofreguidão.
    Porquanto, bem sabe o sol que me queima n’alma,
    que não chorarei o deslacrar-se
    dos hímens complacentes das orquídeas selvagens.
    Muito menos apagarei da sorte todas as imagens
    que, porventura, se despirem nos vidros
    da minha parca inspiração,
    cuja flor-mulher que tanto amo mastigar,
    não venha se sentir penetrada
    por feitos desumanos.

    II

    Oh tímidas meretrizes!...
    Oh cascas de mangas pecas!...
    De que adianta
    o brilho inusitado dos folkways amazônicos
    se seu povo convive com a fome,
    deixando marcas de sangue
    em farpadas cercas estrangeiras?
    Oh supina felicidade!...
    Oh punhos de renda!...
    Por que permitir
    que o anda-já de garras e paixões
    se liquefaça carcomido sob as derradeiras
    volúpias do escrever?
    Oh Alter-do-Chão!...
    Oh amor perfeito!...
    Por que permitir que os cânticos dos poetas
    se derretam, indevidos,
    no âmbito copular dos cachos de bananas nanicas
    nos quais mocorongas moçoilas desvirginadas,
    continuamente, se deixam penetrar
    pelos gulosos talos do Benjamizeiro?...
    Por despeito
    de não compreender o medo de amar,
    sou como a consciência das pedras solitárias,
    que ouve no bocejar da fome,
    o lamento dos tambores.
    E, como guardiã da palavra, que é
    fruto da vivencia diária do borbotar das emoções,
    a labareda da fala
    há que se afugentar dos maus poetas.
    Mas, sem perpassar o chão da poesia,
    a fim que se lance gozosa,
    até às profundezas do empoeirado
    oceano de lágrimas.

    III

    Vinde,
    irmãos do sol e irmãs da lua.
    Sentai comigo...
    tentarei ser toda paciência
    para entortar o aço da palavra
    e todas as dores e espinhos
    que prendem o reinventar do ser humano.
    Vinde,
    primos do sol e primos da lua.
    Sentai comigo...
    porque o amor inconsciente e inválido,
    há que ser compelido a envenenar-me de véspera,
    atrelando-me ao cortar da baioneta tibetana,
    impelindo-me imensos flocos de almas famintas,
    num espocar de corpos,
    calafrios e desânimo,
    que é este colar de madrepérolas,
    conquistado às duras lágrimas talhadas,
    ante o chicote coercivo
    Da madrugada...
    Aprendei também
    que há egoísmo se o sexo for mal parido,
    já que o meu prepúcio raivoso, sentindo fome de mel silvestre,
    decerto, gozar-se-á a pleno gozo,
    desdizendo do amor das enxurradas tsunâmicas,
    do qual, o atritar com as palavras mórbidas e secas,
    decaí indecoroso por cima desta vida ainda menina,
    que ora sangra-se estricnina...
    Oh luar de prata!...
    Oh dia de cão!....
    sabei que sou como o aroma do canivete.
    E, assim sendo, apenas varão,
    logo me ato em lânguidos cânticos de vida e corte,
    na idéia firme de vencer a morte.
    Rastro de fuzil americano
    a lançar-me à alça de mira
    do soldado judeu, que há que se enrolar
    sob o véu da ferida,
    cujo front dos gozares belemitas,
    liga-se energizado às batalhas sangrentas deste poema,
    ora abatido ora menstruado,
    ponto de escape
    que vai da saliência dos homens-poetas
    até o alimentar-se de retretas,
    barro e saliva!

    IV

    Nesse infinito augurar de palavras e tetas
    Talvez, hoje, talvez, nunca mais,
    a fomedez de justiça e cabaço
    aceite se impregnar ao ardume e à canseira.
    Nunca mais aceite descoçar-se das impinges e coceiras.
    Nunca mais aceite induzir os pássaros de aço
    a remover do olfato da maçã a ganância humana.
    Nunca mais aceite engolir o desamor
    que brota dos homens exatos,
    nos quais o silêncio da vida,
    a miséria do osso, não explica...
    De vez que o amor,
    emprenhado de dúvidas e ressentimentos,
    deixou-se masturbar de tédio,
    esguichando seu ávido sexo
    em cima do Coreto da Praça da República,
    Convexa, crua, ensolarada,
    Pálida,
    andrógina poesia nua!

    V

    Neste Sistema Solar,
    que move a vergonha dos homens,
    resta-me o som das palavras,
    golpeando-se com pedaços de flores,
    dizendo-me que é com o tesão do meu sexo
    que se desamargura da dor imerecida...
    Não faz muito,
    pariu-se o sol sob o cio da terra...
    Fosse-me esse cio réstia de luz
    que se espraia pelo vento da praia.
    Fosse-me essa fome européia
    nunca vista na primavera.
    Eu pintaria um breve espaço
    entre o pensamento
    e a ação...
    Sabei,
    Oh Sumaumeira de Nazaré!...
    Satisfaço-me, espiritualmente, quando bebo sexo
    e, também, quando me alimento
    de poesia sem eternidade,
    pois, que como sêmen de limão
    (enjoativo e transgênico),
    O dia que amo anoitecer,
    há que se tornar sonho pejorativo,
    cartazia de agonia,
    ato de expiação,
    espada que fere o mundo,
    num gesto que gera-nos
    somente dor
    e aflição!

    VI

    Da paixão
    (bem sabe o dia!... à noite também!),
    provém-me o verbo da paixão que tanto degelo,
    quando deixo enforcar-me pela ferida do cotovelo,
    pois, o desejo de não me curar,
    há que se suicidar no ventre da poesia,
    feito mel
    de mênstruo copular silvestre,
    feito essa desmedida dor
    que cobre a Cidade de Belém...
    Sim!
    colherei essa paixão
    que há de cobrir de castigo,
    as pencas de mangas verdes penetradas
    que estão caídas no ato
    de espreitar o orvalho da manhã...
    Sim!
    não pensarei não nessa mansidão
    que está às avessas,
    da minha timidez mal parida,
    cujo âmago que emperra este poema iletrado,
    Quererá ser um verdadeiro mangal
    carregado de frutos e sentimentos.
    Pensarei sim, naquela que gerar, pela orquídea selvagem,
    uma declaração de amor,
    que imerecido ofereço a esta tarde rediviva
    de tragos não explícitos,
    mas que se morrem diariamente de tétano,
    quando a flor se apodrece merecida
    no íntimo da chuva.

    VII

    Lá muito longe,
    os nossos mortos/vivos
    caminham apressados para o tempo da eternidade.
    Zombam-nos!... E pedem-nos socorro!...
    Também implora-nos restos de comidas!...
    Pois, que estando eles
    prostrados à frente do purgatório do verbo,
    não há como a ferrugem vomitar prisões e palavras
    no clitóris da fala...,
    pois, que estando eles
    prostrados à frente do hímen da gala,
    não há como a solidão
    costurar o pênis deste esbaforido poema,
    no qual as explícitas volúpias penitentes
    e o fogo da ânsia de viver
    não ousa destruí-los.

    VIII

    Não!
    Não dormirei sob o ridículo da fala...
    Vinde... Sou poeta...
    Condenado que estou a tornar-me pateta
    e a ficar preso por cem dias
    no colo da solidão dos náufragos,
    descomendo pão,
    desbebendo água,
    condenado a suportar
    cem chibatadas nas costas.
    Condenado a maldizer
    os paus-de-arara da agonia,
    de onde amorosas alfinetadas
    meu poema sujo
    gala o ar,
    fere o céu,
    pressentido a morte do aurorar amazônico.
    Qual anjo torto traindo a manhã,
    dessas coisas não muito raras e plurais,
    vez que há lá fora
    mundos inteiros
    enforcando-se de fome e desmando.
    Há, lá fora, bocas e estrumes,
    paus e bandeiras de poetas sórdidos,
    construindo pencas de poemas corruptos,
    apáticos, desprezíveis,
    tal como os seres inferiores,
    vis.

    IX

    Talvez já nem mais sejas...
    Estejas... Só... Vegetas...
    Teimoso rendez-vous da palavra
    que te mormaça os dias,
    tão despedaçados de angústia,
    tão mais carente de flor socialista.
    Talvez já nem mais sejas...
    Sobrevivas... Só... Vomitas.
    Miseráveis casebres,
    cujas feições multifacetadas da carne de anta
    morrem no âmago do vôo do inseto,
    vestido de barba e farda de general
    a fuzilar em riste,
    padres e sacristias,
    Pois, as nossas amarguras
    são como os gomos da laranja,
    tombados bêbados de fome
    como tombados estão os nossos poetas paroaras,
    que não podem escarrar seus gozarares e urros
    no cancro da cidade...

    X

    Nessa assexuada manhã de inverno
    sou como uma fumaça lenta,
    vagando sem rumo...
    E, como lenta fumaça que passa,
    não hei de catar na palavra
    somente o que há no espaço lúcido do nada.
    Também não engolirei réstia de luz,
    muito menos hei de coar o fel do cansaço,
    ou amordaçar-me na inércia
    de morrer ante a morbidez do mormaço,
    já que desde menino
    eu me afasto do amargo da poesia,
    em cujo sangramento
    este poema sujo,
    presta-se a negritar-se no asfalto...,
    Pois, quando a noite se puser,
    que eu possa preparar a massa de pastel de amianto.
    Que eu possa fritá-lo em óleo de soja saturado,
    que eu possa despencar-me às nádegas do planeta,
    que eu possa ser o amor das margaridas despetaladas,
    em cuja dor de cólera e sanguessuga
    a vida põe-se a moer
    o saracotear-se dos ratos d’água
    que, diariamente, assexuam-se entre si
    ante a bulimia fecal
    dos nossos sobressaltos.

    XI

    Contemplando as estrelas mastigadas,
    teimo em dizer-te
    que eu não beberei o teu repreender.
    Que eu não andarei de carro de mão,
    porque içado à descarga do vento,
    repararei o rascunhar dalguns parcos poemas,
    aos quais, por ironia do talonário bancário,
    fez-me permanecer encaixado
    aos calotes da vida.
    Porque sou como as folhas do ipêzeiro,
    que lutam para não cair no abismo da sorte
    E, mesmo sendo resto de encanto e magia,
    sou como a face da lua,
    desfazendo-se dessa falta de ar
    que reina sob a vida sul-americana...,
    sobretudo, porque
    cabe á morte execrar o brocardo popular,
    quando diz que a lamina poética da fala
    infecta-se na lama da gala
    e, que de tanto sofrer,
    mostra-se depauperada por falta de amor e meiguice.
    Ou, mais que isso,
    vale viver a vida,
    na qual uma mira de revólver explode-se ao vento,
    já que se oferece como águia de fogo e fome,
    já que se oferece como um anelar-se sem nome,
    de céu insosso e cinzento
    a miar-nos restos de pão e justiça.

    XII

    Vinde,
    irmãos do sol e primos da lua.
    Sentai comigo...
    Escutai...
    Não fosse a tosse da vagina,
    nenhum revés meu íntimo alcançaria,
    porque vivo como palito nu
    que, em prantos, fere o dente,
    e, mastigando a vida,
    se gala de espanto,
    num encanto que engorda o bolso vazio da vertigem,
    desbanca a bainha verde da sorte,
    às do nada sem nada,
    que asperamente espero
    Descolar-me da cicuta da morte,
    poetando calado,
    um átomo acalanto...
    Lá fora,
    a noite tenta achegar-se a mim
    como um coito vaginal
    que se achega na exploração sexual do sereno.
    Lá fora,
    a noite tenta se esconder em mim
    como um monte de estômagos ressequidos
    que se esconde em copos de leite e cigarro,
    tal como os urros e sussurros das meretrizes
    do Bar do Parque,
    pedindo-me paga!

    XIII

    Vinde,
    filhos do sol e cunhados da lua.
    Sentai comigo...
    Escutai...
    Não fugirei da coragem,
    muito menos fugirei do poema
    que me despreza,
    pois, que como mediano poeta,
    sou mata virgem que cobre a vida.
    Sou como uma simples explosão
    provinda do sobrecu da palavra.
    Sou como o medo da existência,
    daquele que vê o abismo desprezando a corda.
    Daquele que caça a herança rebentando elos perdidos,
    cuja dor que vive repleta de falos semi-eretos,
    costuma sempre catar nos dedos das prostitutas
    as migalhas da poesia...
    Sou, por fim,
    sou como
    as manhãs sem orvalho,
    que tristes caminham sem burburinho.
    Sou como
    as lâminas de barro
    que, afoitas, não vertem lágrimas,
    transcendem do coito,
    a sinceridade do gozo,
    o chão!

     Por Benny Franklin

    Yon... Força amigo!

    January 08

    Fragmentos!

     

    "Pensar como eu penso,

    é desintegrar-me do íntimo da palavra,

    é postergar o contemplativo e no poema congelar-me.

    Pensar, inconformado, eu penso.

    Porque germinando,

    eu me germino sobre todas as lavras de gala,

    que em vã filosofia bucal,

    masturba-se no poeta..."

     

    Frgmentos do Poema "Impossibilidades das Coisas",

    postado no ATO DE EXPIAÇAO.

    Poesias

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     LUMINOSIDADE DO ÉBANO

     “Serei o próximo capítulo

    Teu próximo título

    Teu parágrafo inicial”

    Yon Rique

    Quisera eu

    desprender-me da atrocidade do espinho;

    arrepender-me da amabilidade da morte

    e não encobrir-me de burburinho.

    Quisera eu

    limpar-me da embriaguez do linho;

    arrepender-me do gasto inoportuno

    e não ser a bola da vez.

    Quisera eu

    descolar-me das palavras perdidas,

    clichê humano

    onde as frases conservam-se inocentes,

    encardidas como se fossem parábolas

    do vôo do instante.

    Quem sabe elas trafegassem outros caminhos,

    quem sabe interpretassem outros poemas,

    quem sabe cobiçassem afetivamente

    outras penetrações.

    Quisera eu

    não ter conectado em mim

    a fragrância malquista das manhãs impossíveis,

    salsadas como se fosse

    gota defecada.

    Quem sabe preferisse outros destinos,

    quem sabe oferecesse a língua a algum rosto pálido.

    Quem sabe suspirasse um ar

    incógnito e alienado.

    Quisera eu

    não exibir esta feição sísmica,

    metálica, metafísica,

    a omissão cotidiana, perspicaz,

    como se fosse metástase

    ou timidez ignorante.

     Quem sabe minha cabeça fosse iluminada,

    quem sabe tentasse uma turnê solar,

    quem sabe remendasse as partículas

    todas do átomo.

    Entretanto,

    são sempre minhas as carnes mentoladas,

    o aço da vertigem.

    E às vezes, encho-me de esperança...,

    vez que, tal a luminosidade do ébano, são sempre meus

    os espinhos mal ovulados

    que fluem da coroa virginal do instante,

    ruínas que se eternizam, enervadas, imaturas,

    no olhar destroçado

    do querer.

     Por Benny Franklin