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Benny Franklin

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* "Cònsul de Belém" de "Poetas del Mundo".
* Membro da Academia Virtual Brasileira de Letras.

Orquídeas Selvagens de BENNY FR@NKLIN

"Escrever é resistir. É não dar as costas a estes tempos difíceis"
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March 12

Valeu a presença!

  Desde outubro de 2005  

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"Cônsul de Belém/PA de Poetas del Mundo"

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Poesia

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MIGALHAS DA PALAVRA!

(Transe poético)

 

Quando respiro poesia,
Não é que eu queira ver o fogo sempre aceso;
Ou queira ser a essência-transeunte
Que perfuma as palavras e as cabeças maluvidas.

Respiro-a pela simples euforia de ser
Pássaro cativo
- Filho ativo do agridoce calabouço -,
Um semiestreante a catar as migalhas
Da palavra nua,
Insossa, vadia...
.........................

Quando respiro poesia
Não é que eu queira ser trovão cisca-pó,
Marfim de raros transtempos;
Ou deseje sentar-me na cabine do astronauta
Que sobrevoa as vagens intransponíveis.

Respiro-a pelo ato contínuo
De ser tocaia de poeta, orgasmo pateta
- Átomo incompleto -,
Um extraterreno a balizar os rumos
Da palavra crua,
Salgada, encardida...
.........................

Quando respiro poesia
Não é que eu queira embelezar a lua, a flor;
Ou queira ser bem-me-quer de passivos oceanos,
Onde mulheres deslembradas atiram pétalas aos náufragos
Vestidas de branco-gelo e com lenços
De vincos carnívoros.

Respiro-a pelo lance/ato de ser
Como ácaro doméstico
- Epílogo de ilusão -,
Uma víbora a rasgar a seda azul da sã inspiração
(Embutida em cada palavra vã, anã...)
Posto que de seus incontáveis vícios
Sairão lembranças como ventos
Dos montes enternecidos...
.........................

Quando respiro poesia,
Respiro-a – porque galo o verbo – e ainda permaneço
Continuamente em mim.
Isso transcende o poema,
Resguarda o sim,
A morte da palavra,
O renascimento do relâmpago:
O fim!

Benny Franklin

October 23

Valeu a Presença!

"Sou fumaça lenta que passa..."
 
Benny.

Poesia

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BASE DE SUSTENTAÇÃO
 
 
Contínuo e insepulto,
Oh! Grão humano sensabor!
Tu te tornaste parábola indefinida
Qual gente caída no asfalto da ausência...

Tu contrafazes o gomo da bolha sem ar;
Tu sepultas o infinito.
E não ponderes: - Ah! O amor é tênue
E o olhar quase profundo -,
Pois que mal nenhum me assassinará
No frêmito do primeiro transtorno;
E nem por isso ocorra que eu sofra o derradeiro enfarto,
Quando apontares-me a lança desnuda,
O remendo malquisto
Do lúgubre orvalho...

Oh! Libélula emplumada,
Mantenha a base de sustentação de que preciso.
Tal como o hímen complacente do verbo que se mantém unido
À devoção das rosas,
Una-me ao perfume dos poetas.
Me junta ao encosto do olhar,
Repara-te no lagrimar das vaginas repartidas...
Porque as melhores palavras – sim, as piores também,
Há de introduzirem-me
O pensar masturbiano, o beneplácito do bodoque,
As correntezas das expiações
Far-me-ão entender
Quais são os mistérios que cercam
Os Vedas da palavra...

Ai! Entardeceu...
Quebrado um vaso
Está quebrado o approach.
O tálamo do chão resiste - nidifica a púrpura visão -,
Âmago do vaso que se deslancha
Em lágrimas!

Cadê o vaso? -
E por que exterminamos
As flores?

Benny Franklin

Força, Yon Rique, força!
August 12

Valeu a Presença!

Aos poucos,
Retorno ao
Orquídeas Selvagens.
 
Minha frequência no Sítio 
Continuará como dantes.
 
Abçs.
 
Benny Franklin
 

Poesia

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Foto: Murilo/Flickr/Creative Commons

AO MEU PAI
(ORQUÍDEA SELVAGEM)
 
O Tempo,
Como passa tragicamente
Num saudar de lágrimas talhadas!
Eu te caço, meu Pai,
Numa procura de céu a céu...

Eu queria dar-te um beijo Pai,
Um beijo que descrevesse
Esta pretensão de te encontrar,
Esta desconfiança de te deslembrar,
Esta dor de querer-te,
Esta lacuna elusiva que me encalça,
Esta nostalgia a que suporto
Todo esperançoso.

Eis
Que a Ti me apresento Pai,
Legítimo e ingênuo. Filho-Carne
Enquanto Musgo-Eterno,
Que coabita e adolesce ao período
Em que copula cada dor.

O meu beijar-te Pai, é
Consumação de cada baque;
Germina em cada sementeira, e rompe o peito
Da saudade - Teu adubo.

Por Benny Franklin

Recado: Os Adubos Florescidos
– Elimar, Ana, Aileen, Marven Junius e Adriana -
Rolam lágrimas e te mandam beijos.
E Eu... Deposito no colo da tua "Memória"
Um Bouquet de Orquídeas Selvagens. 
May 26

MINHAS DESCULPAS!

Amigos,

estou meio desligado do Space,

em função de estar postando com regularidade

no Sítio Overmundo.

Mas prometo

que logo logo voltarei

a postar meus escritos aqui.

Amo a todos!

Abraços,

Benny Franklin

Poesia

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Lágrimas de entreolhares vazios
 
 
1 – Ah! Triste é percebermos
As nuvens da ganância
Rasgar sentidos, remover palavras...
Triste é darmos o tom que a vida precisa
Para malbaratar-se.
Contínuas, qual despautério de amantes,
As tristes orquídeas continuam a embaraçarem-se
Entre ácidos e pensamentos mal copulados;
A petalarem-se quais sexos mal germinados;
A fundirem-se entreolhares vazios;
A lagrimarem-se entre si, a sós
Porque serão devoradas pela força
Dos quereres.
 
2 – Triste é percebê-las infelizes
(Já que ao vê-las frigidas porque embalsamadas
Quais ânimos da inocência, e são!)
É vê-las morrerem sem trespassarem vidas.
Cujas únicas substancias que lhes restariam em riste,
Quão humana ainda é,
Há que serem consumidas
Pelo desgosto desmedido;
Há que rastejarem em prantos
Sobre chãos de finos orgasmos,
Sujos de sangue.
 
- Triste ainda é vê-las trocarem caminhos,
Desviarem destinos.
Triste ainda é vê-las irem-se a parcimoniosos céus
Para não puirem-se ante a sanha do quererem-se
Pouco mais do que há no mais
Que ainda coexiste em nós.
Triste ainda é vê-las se encherem de momentos
Angustiantes e desencantados,
Porque ao serem iludidas pelos sentimentos baldios,
É como se assim fossem desprezadas vice-versa
Por instantes em que
Morressem um pouco mais e mais,
A cada despetalar do vazio.
Triste ainda é vê-las de faces tristonhas,
É velas se desviarem da exatidão do ato.
Mais do que vê-las pequenas,
É vê-las no mínimo do mínimo
Quando podiam ser
Mais que o bastante
Sendo maiores que o céu,
Enquanto lágrima escorrida,
É como que as víssemos se transformando
Em pedra de lamina
Quase-constante...
 
4 – Oh! Vida, desde o principio,
 Percebi-te como fossem essas flores de mortalhas puídas.
Vós me destes os botões mais perfeitos
Quais seres superiores imperfeitos dando-se ao sereno,
Ao primeiro sacrifício da Palavra.
Sim, deste-me a foz da água
Que a argúcia fincou no olhar da primavera.
Confesso-vos, arriado:
Tenho a gula esbraseada,
Mas, por piedade,
Dá-me vinhos espumosos, Senhor!
Sem bebida, desde logo,
Teu rega-bofe revolta
Os poetas desvalidos.

5 – Oh! Vida, vós me destes
O alimento destemperado
A noite se copulou na fome eterna,
Enquanto a saliva me ardia a ferro e fogo.
Ninguém... Ninguém se alimentou
Senão do próprio esperma:
Ao menos o vinho que dizes sagrado
Tem misericórdia do agora,
Encachaça a candura do poema.
Ah! Tende compaixão dos ínvidos,
Dai-lhes o Premio Literário
Que precisam.
Faça-as entender:
“Talos de benjaminzeiro engrossarão os seus coros”.

– Tudo o que for apedrejado
Prescrevido e camuflado no poema,
Fazei cultivar por palavras errantes
A multisignificação de cada poeta,
Em vossa mesa eles tenham
Assento e comiseração.
 À cabeça do poeta,
Essência da vida,
Ponha uma poesia à espada:
Pois que conservaremos a palavra e o papel
Ao norte da expiação.
 
Por Benny Franklin
April 16

Valeu a Presença!

Carrísimos amigos/Leitores:

Motivado pelas mudanças ocorridas no MSN/SPACE

não pude, não tive como responder e/ou visitar

a todos os amigos

que ao Orquídeas Selvagens visitaram.

Peço desculpas, prometendo que, assim que ficar normalizado,

responder a todos essas pessoas de fino trato.

Sinceramente,

Benny Franklin

Poesia

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Fotografia: Direcionsamento do Olhar

Olhar metamorfoseado

"Sempre estaremos procurando talvez não a rima, mas o sentindo quase perfeito

Para extravasar o amor..."

 
 

 1

  Hoje que te entendo amor,

Tu não me cabes.

Hoje que te posso te tomar por inteiro

Em meus poemas pegajosos,

Que te posso sobrepujar

No fundo de meu casco gozoso,

Não mais prossegues ao lavor deste poeta.

Teu olhar metamorfoseado

Detém o cismar da noite...

  ...

Hoje que te percebo amor,

Não te entendo como feitor.

O que em mim comprimes

É o bel-prazer, acerbo de letras;

É a infrutuosidade de palavras ressequidas.

Hoje que te entendo amor,

Estampas a flor de o teu emudecer tatuado

Sobre a minha piração

(Espermas de tanto silêncio,

De tantas lavras, de tantas aparições...)

2

Hoje que não há mais

No fundo do desejo

Insalubres almas dos pântanos...

Não há mais insalubres poemas sujos,

Ascendências da fala:

A morada, a viagem, a arte de amar,

O que restar no suportar do poeta como artífice

De o livre gostar -

O peso substantivo da gala,

Esta pouca invenção.

  Hoje que te aceitei amor,

Condeno-me a teus braços solitários,

À agonia de execrado

No cândido emudecer de poemas

Congelados nesta embriaguez

Estéril e incoerente.

  ...

  Ai! Resta-me espalhar a fiação

E contemplar a luz e os relâmpagos do infinito

(Não há mais relâmpagos nestas terras belenenses?)

Resta-me estreitar o estrelário denso da fala

E na gala e nos varais poéticos

Almejar a maré de poemas

Que se instalou no poeta não-definido

Como um rio que nunca se esgota,

 Como um dia em cada vitória,

Como uma noite

Em cada derrota.

...

Por Benny Franklin

March 12

Fragmentos

Essência

 

Sou aço

Sou barro

Sou pedra de copular orvalho

Sou sombra

Sou ácido

Sou poema de desentupir atalho

 Sou como rezas

Morro barro

Agasalho a alma

No aço

Fortifica o coração

No poema

Cria a oração de cada dia...

Mas

O homem,

Esse desconhecido!

  Onde

Esconderá a sua

Covardia?

 

March 09

Poesia

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INALTERADA PARTE DO INSTANTE

I  

Sob derradeiro sereno,

Inalterada é a parte que me resta.

Pois que a lua desvirginara-se ao vento

Antes de o dia acontecer.

De sua dor

Surgiu a ausência das coisas,

Orgasmo carnal

Sacrificado virgem

Que nem plenitude e desejo

Roubado da flor desvirginada

– multifacetada parte deste momento –

Porque penetrada se deu à bomba

Assim como o perfume do ralo

Deu-se ao vazio.

Ter-se-ia o orvalho

(Enquanto cadeado)

Estancado a hemorragia

Do destino?

Ou a símile da palavra,

A gradação da penugem,

A complexidade da vagina,

A multiplicidade do colapso

O “ó” do Benjamizeiro

Dever-se-ia morrer

No âmago de cada floração?

Seria o poema,

A estética do olhar,

A intensidade do beijo,

As mangas pecas de Belém,

Os cadáveres purificando-se

Sob a fomedez

De cada mutação?

Ou seria a analogia da lagarta,

A desfaçatez do suicida

A mutável sinonímia

Do assassinato?

Segundo a bíblia comentada,

Os reveses da vida

São tênues e desesperadores.

Daí a luminosidade do ódio

Espelhar-se no âmbito

De cada excitação.

É de mais valia

Cortejar um pensamento sonâmbulo

Do que sentir o vapor

Das línguas do destino.

Oh! Esperança!...

Onde andará teu lacônico sorriso

Que tantas lagrimas vitimou?

Lembrai sempre:

Se o pecado houvesse sido perdoado,

Esperança alguma haveria morrido.

Ser-nos-ia, por fim,

Parto de cada antevéspera.

Embora sendo estático,

Este canto é a primogênita vela

Que se acende ao mormaço.

  II

 Frente à extrema luz,

Hirta seja a outra parte que me sobrar.

Sonsa, a chuva engravidara-se ao mormaço,

Antes de a enxurrada desmerecer-se.

Prima do meretrício o é,

De cujo pólen engravidado,

Vênus deu-se a guerra

Assim como a prostituta

Deu-se ao talo.

Seria o entusiasmo o criador,

A métrica do estrume,

O cardume de idéias

A se masturbar na alienação da poesia?

Ou seria a viatura de guerra,

O poeta porque imerecido,

A chaminé povoando segredos,

A idolatria

De cada compaixão?

Ou seria a mídia dos soberbos,

A sacristia dos blasfemos,

A espada dos ditadores,

O pênis

De cada sacrifício?

Ou seria a magnanimidade dos pavores,

A pusilanimidade da terra,

A veia porque enfartada,

O céu coberto de orgasmo?

Segundo a literatura comentada,

Os erros ortográficos são incapazes e pueris.

Daí a consangüinidade do poeta

Espelhar-se na poesia

De cada pensamento marginal.

É mais venturoso

Mastigar o tabaco da vergonha

Do que provar o ódio

Das palavras proscritas.

Oh amanhã de amanhã...

Por onde andará o teu irônico futuro

Que tantos sonhos atropelou?

Advirto-lhe:

Se a angina fosse imediatamente extirpada,

Homem qualquer fraquejaria.

Ser-nos-ia, enfim,

Canto de cada espera.

Apesar do mormaço,

Este grito

É a inalterada parte

Do instante.

 

Por Benny Franklin

January 27

Fragmentos

Fragmentos Poéticos

 

"Oh! Deus! Oh! Deus!

Que é o amor enquanto é?

Que é a dor enquanto não é?

Que é a palavra enquanto não está?

Que é o pavor enquanto è?

Que é o homem enquanto se destrói?

Que é a verdade enquanto não cabe?

Sei que com os admiráveis truques de guerra

Faz-se a bendita paz no horizonte

Mas há que se lembrar

Do futuro do homem..."

 

Por Benny Franklin

Fragmentos do poema

"Teu céu sob a ponta de minha espada"

Poesias

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EXAME DE CONSCIÊNCIA

  

Para Thereza Girardi. Pelo animo de querer tornar-me um poeta. Dedico-a.

"Exame de Consciência" é um retrato de ode bela e firme.

Traduz um pulsar lírico de fome e avidez; expurgo. Porque carrega o sentimento do que corrói a alma não só poeta,

mas também do homem, do ser humano”.

Parabéns!

Meirevaldo Pinheiro, Poeta.

  “Se este poema fosse gente, certamente conseguiria atravessar o rio Amazonas a nado!

O seu poema é amazônico.

Vasto, belo, tem força selvagem, está aí para ser desbravado!...

Você, Bandeirante da Palavra, puxa a gente, com facão na mão, para cortar os matos que obstruem

a passagem nessa viagem pelos labirintos do ser pessoa!

Parabéns!

Meu respeito, minha admiração, meu olhar de aprendiz...

Euna Brito de Oliveira, Poeta.

I

Sob o signo da vida,
pedra quase bruta,
que me consome aos poucos,
copulam-me as bromélias silvestres,
remastigando o íntimo da palavra,
tão farta de cio.
Exame de consciência
que, à mercê das chuvas ácidas de longes terras,
quando se pode melhor divisar as coisas,
há que se fazer de espada,
mas sem dormir na bainha,
e, em meio às flores ensopadas de espermas,
deve saber devorar
centenas de ventres santarenos,
que tanto amo penetrá-los...
Oh areia de piracaia!...
Oh tira-gosto de avium!...
Que a chuva me conceda
uma primeira negação da fala.
Sentar-me-ei nestas calçadas baldias da vida
a colher da viva luz,
o que possível se amarelar nos frutos desmerecidos
desse amor que amo amar em pedaços...
Oh chão belemita!...
Oh grão paraora!...
Que os filamentos de tuas belíssimas pétalas
e de teus pusilânimes ovários,
conceda-me o dom de perfurar-te à bala,
com orgasmo de aço,
no qual algumas putas infelizes
prostram-se nas noites de sofreguidão.
Porquanto, bem sabe o sol que me queima n’alma,
que não chorarei o deslacrar-se
dos hímens complacentes das orquídeas selvagens.
Muito menos apagarei da sorte todas as imagens
que, porventura, se despirem nos vidros
da minha parca inspiração,
cuja flor-mulher que tanto amo mastigar,
não venha se sentir penetrada
por feitos desumanos.

II

Oh tímidas meretrizes!...
Oh cascas de mangas pecas!...
De que adianta
o brilho inusitado dos folkways amazônicos
se seu povo convive com a fome,
deixando marcas de sangue
em farpadas cercas estrangeiras?
Oh supina felicidade!...
Oh punhos de renda!...
Por que permitir
que o anda-já de garras e paixões
se liquefaça carcomido sob as derradeiras
volúpias do escrever?
Oh Alter-do-Chão!...
Oh amor perfeito!...
Por que permitir que os cânticos dos poetas
se derretam, indevidos,
no âmbito copular dos cachos de bananas nanicas
nos quais mocorongas moçoilas desvirginadas,
continuamente, se deixam penetrar
pelos gulosos talos do Benjamizeiro?...
Por despeito
de não compreender o medo de amar,
sou como a consciência das pedras solitárias,
que ouve no bocejar da fome,
o lamento dos tambores.
E, como guardiã da palavra, que é
fruto da vivencia diária do borbotar das emoções,
a labareda da fala
há que se afugentar dos maus poetas.
Mas, sem perpassar o chão da poesia,
a fim que se lance gozosa,
até às profundezas do empoeirado
oceano de lágrimas.

III

Vinde,
irmãos do sol e irmãs da lua.
Sentai comigo...
tentarei ser toda paciência
para entortar o aço da palavra
e todas as dores e espinhos
que prendem o reinventar do ser humano.
Vinde,
primos do sol e primos da lua.
Sentai comigo...
porque o amor inconsciente e inválido,
há que ser compelido a envenenar-me de véspera,
atrelando-me ao cortar da baioneta tibetana,
impelindo-me imensos flocos de almas famintas,
num espocar de corpos,
calafrios e desânimo,
que é este colar de madrepérolas,
conquistado às duras lágrimas talhadas,
ante o chicote coercivo
Da madrugada...
Aprendei também
que há egoísmo se o sexo for mal parido,
já que o meu prepúcio raivoso, sentindo fome de mel silvestre,
decerto, gozar-se-á a pleno gozo,
desdizendo do amor das enxurradas tsunâmicas,
do qual, o atritar com as palavras mórbidas e secas,
decaí indecoroso por cima desta vida ainda menina,
que ora sangra-se estricnina...
Oh luar de prata!...
Oh dia de cão!....
sabei que sou como o aroma do canivete.
E, assim sendo, apenas varão,
logo me ato em lânguidos cânticos de vida e corte,
na idéia firme de vencer a morte.
Rastro de fuzil americano
a lançar-me à alça de mira
do soldado judeu, que há que se enrolar
sob o véu da ferida,
cujo front dos gozares belemitas,
liga-se energizado às batalhas sangrentas deste poema,
ora abatido ora menstruado,
ponto de escape
que vai da saliência dos homens-poetas
até o alimentar-se de retretas,
barro e saliva!

IV

Nesse infinito augurar de palavras e tetas
Talvez, hoje, talvez, nunca mais,
a fomedez de justiça e cabaço
aceite se impregnar ao ardume e à canseira.
Nunca mais aceite descoçar-se das impinges e coceiras.
Nunca mais aceite induzir os pássaros de aço
a remover do olfato da maçã a ganância humana.
Nunca mais aceite engolir o desamor
que brota dos homens exatos,
nos quais o silêncio da vida,
a miséria do osso, não explica...
De vez que o amor,
emprenhado de dúvidas e ressentimentos,
deixou-se masturbar de tédio,
esguichando seu ávido sexo
em cima do Coreto da Praça da República,
Convexa, crua, ensolarada,
Pálida,
andrógina poesia nua!

V

Neste Sistema Solar,
que move a vergonha dos homens,
resta-me o som das palavras,
golpeando-se com pedaços de flores,
dizendo-me que é com o tesão do meu sexo
que se desamargura da dor imerecida...
Não faz muito,
pariu-se o sol sob o cio da terra...
Fosse-me esse cio réstia de luz
que se espraia pelo vento da praia.
Fosse-me essa fome européia
nunca vista na primavera.
Eu pintaria um breve espaço
entre o pensamento
e a ação...
Sabei,
Oh Sumaumeira de Nazaré!...
Satisfaço-me, espiritualmente, quando bebo sexo
e, também, quando me alimento
de poesia sem eternidade,
pois, que como sêmen de limão
(enjoativo e transgênico),
O dia que amo anoitecer,
há que se tornar sonho pejorativo,
cartazia de agonia,
ato de expiação,
espada que fere o mundo,
num gesto que gera-nos
somente dor
e aflição!

VI

Da paixão
(bem sabe o dia!... à noite também!),
provém-me o verbo da paixão que tanto degelo,
quando deixo enforcar-me pela ferida do cotovelo,
pois, o desejo de não me curar,
há que se suicidar no ventre da poesia,
feito mel
de mênstruo copular silvestre,
feito essa desmedida dor
que cobre a Cidade de Belém...
Sim!
colherei essa paixão
que há de cobrir de castigo,
as pencas de mangas verdes penetradas
que estão caídas no ato
de espreitar o orvalho da manhã...
Sim!
não pensarei não nessa mansidão
que está às avessas,
da minha timidez mal parida,
cujo âmago que emperra este poema iletrado,
Quererá ser um verdadeiro mangal
carregado de frutos e sentimentos.
Pensarei sim, naquela que gerar, pela orquídea selvagem,
uma declaração de amor,
que imerecido ofereço a esta tarde rediviva
de tragos não explícitos,
mas que se morrem diariamente de tétano,
quando a flor se apodrece merecida
no íntimo da chuva.

VII

Lá muito longe,
os nossos mortos/vivos
caminham apressados para o tempo da eternidade.
Zombam-nos!... E pedem-nos socorro!...
Também implora-nos restos de comidas!...
Pois, que estando eles
prostrados à frente do purgatório do verbo,
não há como a ferrugem vomitar prisões e palavras
no clitóris da fala...,
pois, que estando eles
prostrados à frente do hímen da gala,
não há como a solidão
costurar o pênis deste esbaforido poema,
no qual as explícitas volúpias penitentes
e o fogo da ânsia de viver
não ousa destruí-los.

VIII

Não!
Não dormirei sob o ridículo da fala...
Vinde... Sou poeta...
Condenado que estou a tornar-me pateta
e a ficar preso por cem dias
no colo da solidão dos náufragos,
descomendo pão,
desbebendo água,
condenado a suportar
cem chibatadas nas costas.
Condenado a maldizer
os paus-de-arara da agonia,
de onde amorosas alfinetadas
meu poema sujo
gala o ar,
fere o céu,
pressentido a morte do aurorar amazônico.
Qual anjo torto traindo a manhã,
dessas coisas não muito raras e plurais,
vez que há lá fora
mundos inteiros
enforcando-se de fome e desmando.
Há, lá fora, bocas e estrumes,
paus e bandeiras de poetas sórdidos,
construindo pencas de poemas corruptos,
apáticos, desprezíveis,
tal como os seres inferiores,
vis.

IX

Talvez já nem mais sejas...
Estejas... Só... Vegetas...
Teimoso rendez-vous da palavra
que te mormaça os dias,
tão despedaçados de angústia,
tão mais carente de flor socialista.
Talvez já nem mais sejas...
Sobrevivas... Só... Vomitas.
Miseráveis casebres,
cujas feições multifacetadas da carne de anta
morrem no âmago do vôo do inseto,
vestido de barba e farda de general
a fuzilar em riste,
padres e sacristias,
Pois, as nossas amarguras
são como os gomos da laranja,
tombados bêbados de fome
como tombados estão os nossos poetas paroaras,
que não podem escarrar seus gozarares e urros
no cancro da cidade...

X

Nessa assexuada manhã de inverno
sou como uma fumaça lenta,
vagando sem rumo...
E, como lenta fumaça que passa,
não hei de catar na palavra
somente o que há no espaço lúcido do nada.
Também não engolirei réstia de luz,
muito menos hei de coar o fel do cansaço,
ou amordaçar-me na inércia
de morrer ante a morbidez do mormaço,
já que desde menino
eu me afasto do amargo da poesia,
em cujo sangramento
este poema sujo,
presta-se a negritar-se no asfalto...,
Pois, quando a noite se puser,
que eu possa preparar a massa de pastel de amianto.
Que eu possa fritá-lo em óleo de soja saturado,
que eu possa despencar-me às nádegas do planeta,
que eu possa ser o amor das margaridas despetaladas,
em cuja dor de cólera e sanguessuga
a vida põe-se a moer
o saracotear-se dos ratos d’água
que, diariamente, assexuam-se entre si
ante a bulimia fecal
dos nossos sobressaltos.

XI

Contemplando as estrelas mastigadas,
teimo em dizer-te
que eu não beberei o teu repreender.
Que eu não andarei de carro de mão,
porque içado à descarga do vento,
repararei o rascunhar dalguns parcos poemas,
aos quais, por ironia do talonário bancário,
fez-me permanecer encaixado
aos calotes da vida.
Porque sou como as folhas do ipêzeiro,
que lutam para não cair no abismo da sorte
E, mesmo sendo resto de encanto e magia,
sou como a face da lua,
desfazendo-se dessa falta de ar
que reina sob a vida sul-americana...,
sobretudo, porque
cabe á morte execrar o brocardo popular,
quando diz que a lamina poética da fala
infecta-se na lama da gala
e, que de tanto sofrer,
mostra-se depauperada por falta de amor e meiguice.
Ou, mais que isso,
vale viver a vida,
na qual uma mira de revólver explode-se ao vento,
já que se oferece como águia de fogo e fome,
já que se oferece como um anelar-se sem nome,
de céu insosso e cinzento
a miar-nos restos de pão e justiça.

XII

Vinde,
irmãos do sol e primos da lua.
Sentai comigo...
Escutai...
Não fosse a tosse da vagina,
nenhum revés meu íntimo alcançaria,
porque vivo como palito nu
que, em prantos, fere o dente,
e, mastigando a vida,
se gala de espanto,
num encanto que engorda o bolso vazio da vertigem,
desbanca a bainha verde da sorte,
às do nada sem nada,
que asperamente espero
Descolar-me da cicuta da morte,
poetando calado,
um átomo acalanto...
Lá fora,
a noite tenta achegar-se a mim
como um coito vaginal
que se achega na exploração sexual do sereno.
Lá fora,
a noite tenta se esconder em mim
como um monte de estômagos ressequidos
que se esconde em copos de leite e cigarro,
tal como os urros e sussurros das meretrizes
do Bar do Parque,
pedindo-me paga!

XIII

Vinde,
filhos do sol e cunhados da lua.
Sentai comigo...
Escutai...
Não fugirei da coragem,
muito menos fugirei do poema
que me despreza,
pois, que como mediano poeta,
sou mata virgem que cobre a vida.
Sou como uma simples explosão
provinda do sobrecu da palavra.
Sou como o medo da existência,
daquele que vê o abismo desprezando a corda.
Daquele que caça a herança rebentando elos perdidos,
cuja dor que vive repleta de falos semi-eretos,
costuma sempre catar nos dedos das prostitutas
as migalhas da poesia...
Sou, por fim,
sou como
as manhãs sem orvalho,
que tristes caminham sem burburinho.
Sou como
as lâminas de barro
que, afoitas, não vertem lágrimas,
transcendem do coito,
a sinceridade do gozo,
o chão!

 Por Benny Franklin

Yon... Força amigo!

January 08

Fragmentos!

 

"Pensar como eu penso,

é desintegrar-me do íntimo da palavra,

é postergar o contemplativo e no poema congelar-me.

Pensar, inconformado, eu penso.

Porque germinando,

eu me germino sobre todas as lavras de gala,

que em vã filosofia bucal,

masturba-se no poeta..."

 

Frgmentos do Poema "Impossibilidades das Coisas",

postado no ATO DE EXPIAÇAO.

Poesias

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 LUMINOSIDADE DO ÉBANO

 “Serei o próximo capítulo

Teu próximo título

Teu parágrafo inicial”

Yon Rique

Quisera eu

desprender-me da atrocidade do espinho;

arrepender-me da amabilidade da morte

e não encobrir-me de burburinho.

Quisera eu

limpar-me da embriaguez do linho;

arrepender-me do gasto inoportuno

e não ser a bola da vez.

Quisera eu

descolar-me das palavras perdidas,

clichê humano

onde as frases conservam-se inocentes,

encardidas como se fossem parábolas

do vôo do instante.

Quem sabe elas trafegassem outros caminhos,

quem sabe interpretassem outros poemas,

quem sabe cobiçassem afetivamente

outras penetrações.

Quisera eu

não ter conectado em mim

a fragrância malquista das manhãs impossíveis,

salsadas como se fosse

gota defecada.

Quem sabe preferisse outros destinos,

quem sabe oferecesse a língua a algum rosto pálido.

Quem sabe suspirasse um ar

incógnito e alienado.

Quisera eu

não exibir esta feição sísmica,

metálica, metafísica,

a omissão cotidiana, perspicaz,

como se fosse metástase

ou timidez ignorante.

 Quem sabe minha cabeça fosse iluminada,

quem sabe tentasse uma turnê solar,

quem sabe remendasse as partículas

todas do átomo.

Entretanto,

são sempre minhas as carnes mentoladas,

o aço da vertigem.

E às vezes, encho-me de esperança...,

vez que, tal a luminosidade do ébano, são sempre meus

os espinhos mal ovulados

que fluem da coroa virginal do instante,

ruínas que se eternizam, enervadas, imaturas,

no olhar destroçado

do querer.

 Por Benny Franklin

December 05

Agradecimento!

Agradeço a todos os amigos virtuais

pelos votos

de BOAS FESTAS!

Benny Franklin

FELIZ NATAL!... FELIZ ANO NOVO!...

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O AMOR SERÁ SEMPRE A LEI

QUE REGERÁ A NOSSA ESPERANÇA!

 

Dedicado aos amigos de todos os dias e especialmente à Padre Ramos. Lamego, Portugal.

 

“Que este poema cubra como seu manto de solidariedade

Todas as pessoas sofridas de cá e de longes terras, sobretudo, aquelas pessoas solitárias;

Que, escondidas nos pântanos da vida, estão sempre a chorar.

Dedico-as do fundo d’alma”.

 

Feliz Natal!...

Feliz Ano Novo!...

 

Desde que não faltem alimentos nas mesas vizinhas!

Desde que não existam crianças vivendo na lama!

Desde que o perdão não seja a bola da vez!

Desde que pululem auroras sobre todas as vinhas!

 

Feliz Natal!...

Feliz Ano Novo!...

 

Desde que a mansidão dos fracos

Não se molde à petulância dos fortes! 

Desde que a ilusão dos ricos não se transforme

Em desesperança dos pobres!

Desde que o coração humano faça brilhar na terra

A luz que abolirá a iniqüidade!

Desde que o homem ideal

Não seja o super-homem irreal

De todos os ritos!

 

Feliz Natal!

Feliz Ano Novo!...

 

Desde que o grão da vida

Não se copule em amizade desdita!

Desde que as pessoas não se envergonhem

Das belas rosas do charco!

Desde que as orquídeas selvagens

Transcendam as flores da maldade!

Desde que o pão da vida

Não seja o pão da discórdia

Razão pelo qual

O homem ainda se roube

E se mate! 

 

Feliz Natal!...

Feliz Ano Novo!...

 

Desde que o sol de dezembro

Seja bem maior que todas as nossas tristezas!

Desde que o céu de Belém

Seja mais claro que todas as nossas incertezas!

Desde que a brancura da vida

Seja a coroa da nossa eterna humildade!

Desde que o amor da roseira

Seja bem maior que o amor em pedaços!

 

Feliz Natal!...

Feliz Ano Novo!...

 

...Feliz Mundo!... Feliz Tudo!...

...Feliz Amizade! ...Feliz Agora!...

...Salve a Vindoura Justiça!...

...Salve a Perfeita Liberdade!...

...Salve o Amor que nos une!...;

...Desde que a misericórdia divina

Possa nos presentear a eterna felicidade

Que ainda acreditamos existir!...;

...Porque de agora em diante

O AMOR SERÁ SEMPRE A LEI

QUE REGERÁ A NOSSA ESPERANÇA!...

 

Feliz Natal!...

Feliz Ano Novo!...

 

Por Benny Franklin

November 15

Fragmentos

 

"...O dever é majestoso

O amor é divino

O dever obriga

Constrange o amor

O dever enaltece

O amor sublima

A paixão limita-se a cumprir o dever

O amor vai além do dever

A paixão não toma iniciativa

Mas sim o amor

A paixão se limita ao mínimo

Mas o amor empresta sua energia ao máximo

Cabe a cada um decidir por si..."

 

Por Benny Franklin

Prosa Poética

VIAGEM AO PENSAMENTO LIVRE

(Diálogo entre um Jovem e um Velho)

Da mesma forma que os trovões provocam as chuvas, o amor instiga a chuva de letras!

Olimpio de Azevêdo

 

Jovem: O que é o conhecimento?

Velho: O arqueiro da vida.

:

Jovem: O que é o pensamento?

Velho: O dedo-duro dos mistérios da alma.

:

Jovem: O que causa a poesia?

Velho: A dor.

:

Jovem: O que é a dor?

Velho: O açoite do vento.

:

Jovem: O que é o vento?

Velho: O policial da vida.

:

Jovem: O que é a vida?

Velho: O regozijo dos bem-aventurados,

Martírio dos humildes,

Desespero da morte.

:

Jovem: O que é a morte?

Velho: Um lance forçoso, uma duvidosa romaria,

Lamento dos vivos,

Sanção dos testamentos,

Trapaça do homem.

:

Jovem: Que é o homem?

Velho: Moeda da morte, transeunte estelar,

Sucessivo esperma em qualquer lugar.

:

Jovem: A que é similar o homem?

Velho: A uma riqueza.

:

Jovem: Qual a naipe humana?

Velho: A de uma lágrima ao vento.

:

Jovem: Como está ele posto?

Velho: No cerne de sete palmos.

:

Jovem: como?

Velho: Por cima, embaixo; ante, a frente;

Vertical e atravessado.

:

Jovem: A que quantidade de caráter ele é mutável?

Velho: A quatro paredes.

:

Jovem: Quais?

Velho: Pela fome e fartura;

Pelo descanso e quefazeres;

Pela insônia e madorra.

:

Jovem: O que é a insônia?

Velho: O juízo da destruição.

:

Jovem: O que é o livre-arbítrio do homem?

Velho: A sua ingenuidade.

:

Jovem: O que é a cabeça?

Velho: O pináculo da liberdade.

:

Jovem: O que é a liberdade?

Velho: A mansão do espírito.

:

Jovem: O que é a ilusão?

Velho: A vestidura da cabeça.

:

Jovem: O que é a solidão?

Velho: Altivez da volúpia, glória do tempo.

:

Jovem: O que é os miolos?

Velho: O conservante do conhecimento.

:

Jovem: O que são os olhos?

Velho: A bússola do corpo, embalagem de lucidez,

Códigos da alma.

:

Jovem: O que são as ventas?

Velho: O caminho dos bálsamos.

:

Jovem: O que são as orelhas?

Velho: Catadores de lamentos.

:

Jovem: O que é a cara?

Velho: A efígie do espectro.

:

Jovem: O que é a boca?

Velho: A fomedez do corpo.

:

Jovem: O que são as presas?

Velho: Moenda de despedaçar

Sonhos e esperanças.

:

.../...

:

Por Benny Franklin


"O escrito acima é uma adaptação que criei.  

O original, acho eu, deve tratar-se de admirável inspiração medieval,

O qual, desconheço seu autor.

Essa belezura de trouvaille o encontrei escrito à lápis numa folha de caderno escolar,

Jogado num banco de praça sem identificação.

O achado inspirou-me algo poético, que o escrevi à minha maneira,

E que merece ser lido até ao fim."

 

 
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